segunda-feira, 3 de dezembro de 2007

TEATRO

'' As dramatizações feitas pelas crianças com supervisão dos educadores podem avançar para enredos mais longos, sejam os criados pelas crianças, sejam tirados de histórias infantis ou contos de fada. Podem fazer uma melhor caracterização dos personagens em termos de voz( como é a voz do lobo? E da chapeuzinho ?), de indumentária(como se vestem os piratas?), de posturas(como anda/voa a Fada Sininho?). Cenários também podem ser preparados com as crianças". (Oliveira,1992,p.97)
Como trabalho com os pequenos a citação a cima fecha exatamente com o que proponho em termos de linguagem corporal. Penso, também, que as crianças precisam ter liberdade de expressão e que sejam respeitadas na sua forma de manifestação.Em um projeto de literatura desenvolvido em minha escola, onde tivemos que reproduzir uma história de Mary França com duas turmas de pequenos juntas, pude por em prática muito do que já li e vivenciei nas aulas de teatro tornando, assim as atividades mais rica e significativa tanto para quem era "ator" e tanto para quem era o público.

MÚSICA

Como sou professora das séries iniciais acredito que a expressão infantil tem uma forma específica de ler o mundo, de relacionar-se com ele e recriá-lo. As crianças expressam essa leitura, na vivência do corpo em movimento, nas experiências rítmicas, gestuais e sonoras. A linguagem musical, conforme já estudamos, está presente antes mesmo do nascimento. O bebê já está em contato com a música, através das batidas do coração de sua mãe, sendo que mais tarde, este contato se amplia através das canções entoadas para brincar, tranquilizar ou adormecer. Através da exploração de objetos, a criança descobre que é capaz de produzir novos sons, agindo sobre os mesmos, no sentido de repetir o efeito alcançado, prendendo sua atenção por um longo tempo. Observa-se muito isto em bebês. Penso que o papel do professor é estimular a criança a fazer suas próprias pesquisas e descobertas sonoras, explorando sons do próprio corpo, materais que produzam sons variados e instrumentos musicais, adequando a proposta de trabalho as necessidades e possibilidades de cada um. Muitas vezes procuro, na narração de histórias, envolver o grupo no contexto da imaginação e fantasia e que ao mesmo tempo explore diferentes qualidades do som, como altura, duração, intensidade, andamento. Em minha prática diária percebo claramente a influência que a música exerce sobre as crianças, isto me leva então a um trabalho onde os alunos possam ouvir, perceber, descobrir, imitar, repetir e criar novos sons, bem como estar em contato com diferentes estilos musicais e em diferentes línguas também. Em nosso projeto sobre as etnias , fomos sorteados para trabalhar a etnia Alemã e após pesquisarmos algumas das manifestações deste povo, apresentei a música, desta etnia, que é muito alegre e que se utiliza de vários instrumentos . Foi uma festa! Visto que a região é de colonização alemã e com certeza o ritmo esteja gravado na memória musical dos alunos. Gostaria de deixar registrado, neste espaço também, que não possuo autorizaçao do Município em que trabalho para realizar práticas escolares, tirar fotografias sem antes pedir autorização da secretaria de educação, que também não faz questão que isto ocorra dentro do horário de trabalho o que eu considero um abuso de autoridade, falta de incentivo a formação profissional e mais não posso falar pois se eles me descobrem...

domingo, 2 de dezembro de 2007

LITERATURA

Amigo
Numa poltrona macia,
No colo da avó,
Na cama aconchegante,
Debaixo da amiga árvore...
É avião que me leva ao
Japão, Quixadá ou Bagdá!
Se a tristeza vem,
Traz asas ligeiras, verdes de esperanças...
Se a euforia é crescente,
Tece na medida a melancolia boa pra pensar.
Se o sono não vem,
Se o medo quer brincar,
Inventa sonhos azuis
Pra eu acordar
Manhãs de sol e emoções...
Se eu quero entender, desvendar o porquê, pra quê,
Como, onde, cadê?
É você a chave que abre
As gavetas, janelas e portas!
É você: Livro Amigo!
Texto de Regina Célia Melo


Sendo professora das séries iniciais, na minha prática, frequentemente estou envolvida pelo universo simbólico da literatura infantil. Não consigo entrar em sala sem me transportar para um personagem(lobo,bruxa , vovozinha...) Por este motivo recebi o título de Fada da Alegria pelos meus queridos alunos.Neste sentido a disciplina vem contribuindo muito para melhorar a minha prática e assim quem ganha são as crianças.

LUDICIDADE E EDUCAÇÃO

" É necessário que o educador insira o brincar em um projeto educativo, o que supõe ter objetivos e consciência da importância de sua ação em relação ao desenvolvimento e à aprendizagem das crianças."
Tânia Ramos Fortuna
Sempre acreditei e defendi a atividade lúdica como uma forma de apropriação do mundo pois quando a criança brinca ela o faz em tempos diferentes( passado, presente e futuro) ela brinca de vir a ser. Como sou professora das séries iniciais procuro defender ao máximo o espaço para o brincar pois quem brinca aprende. Mas, infelizmente, alguns professores sentem-se ameaçados pois, durante o brincar do aluno, seu poder foge à sua centralização e muitas brincadeiras realizadas pelos alunos remetem a sua infância trazendo um certo incômodo.Lamento muito a divisão clara que existe: na educação infantil se brinca e no ensino fundamental acontece apenas o estudo dirigido.Percebo isto claramente quando chego na escola, abro a porta da minha sala e os alunos das outras séries "caem" para dentro e dizem: como é bonita esta sala, eu queria estudar nesta sala novamente, brincam com os brinquedos e observam tudo como se aquele tempo de brincadeiras, jogos e muito faz-de-conta não voltasse mais. Fico muito triste e encomodada com isto, mas realizando esta disciplina vejo que não é utopia "lutar" para que o brincar ocupe o espaço dentro dos projetos educativos.

ARTES VISUAIS

Picasso
Picasso
Desde pequeno
Fazia troça
Com traços
Parece piada,
Mas dizem que é pura verdade
A primeira palavra que disse foi:
"Lápis"
E zapt!
Não parou mais
Desenhava as touradas da Espanha,
Cavalos, bonecas
Menino levado
Cresceu,
Foi pra Paris
Impressionado com a cidade,
Registrou tudo que viu
Mas um grande amigo partiu
E com ele as cores
Sobrou o azul
Quadros de dores
Logo conheceu uma moça
Na tela branca
A paixão vermelha
Corou de rosa sua paleta
Mas a fase mais engraçada
Foi a cubista
Picasso embaralhou as formas
Brincou com as normas
Cubismo
Mosaicos
Caquinhos
Pedaços
Na época
Foi aquele estardalhaço
Desenhou perfil de frente
Pôs bumbum no lugar dos braços
Fez tudo diferente
Arte não é fotografia
Que registra o modelo real
Tal e qual
Na tela
A imagem que fica
É Picasso e
Não tem igual
( Poema de Adriana Abujamra Aith)
Inicio meus primeiros registros no portifólio de aprendizagens de artes visuais por ter ficado gravado em minha memória um projeto que desenvolvi na Educação Infantil sobre Pablo Picasso. O meu maior problema na época era fazer com que aquelas crianças levassem mais cor, alegria e vida para suas casas, visto que moravam em um bairro mais parecido com um buraco, pelas condições geográficas, e a grande parte dos casebres não eram pintados e isto se refletia claramente nos desenhos das crianças. No lançamento do projeto propus conhecermos melhor a vida do artista e o que, também, surpreendeu as crianças foi saber que Picasso foi criança um dia e que começou a desenhar como eles. Passamos por todas as fases do artista e em cada uma os alunos eram desafiados a fazer a releitura. No final do projeto pude perceber que já não achavam as suas produções e a dos colegas ruins pois aprenderam a ver que cada um elabora seus registros de acordo com suas experiências e as cores, também, começaram a surgir de uma forma mais intensa. Em visitas realizadas a espaços culturais do Município, os olhinhos corriam para buscar algum quadro de Pablo Picasso e quando localizavam , logo queriam mostrar aos colegas e a professora falando com muita propiedade o que estavam vendo e os reflexos de sua aprendizagem. Gostaria de dizer ainda que este momento está sendo muito rico, para o nosso processo de ensino aprendizagem, pois é através das trocas feitas com colegas e professores que vimos as diversas maneiras de ver os mesmos assuntos e conhecimentos de diversas formas e expressões que nos faz entender que assim como nós os nossos alunos no dia a dia podem fazer trabalhos com o mesmo objetivo, mas no entanto com maneiras diferentes de expressões.